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Primeiro de abril!

Sábado é dia de texto novo. E o sábado finalmente chegou! Ou não? Escrevo na segunda, visando publicar na quarta. Então essa história de sábado é mentira… PRIMEIRO DE ABRIL!

Sempre que chega este dia, me sinto compelido a escrever sobre o assunto, explicando porque o primeiro de abril é conhecido como o Dia da Mentira. Já fiz isso aqui mesmo, neste espaço.

Citar um texto de um ano atrás, que por sua vez nada mais é do que uma citação a um livro que escrevi há mais tempo ainda, pode não ser trapaça, mas é feio. Não é isso que pretendo fazer (embora tenha acabado de fazê-lo! PRIMEIRO DE ABRIL!!!)

Mas não pude deixar de notar que o texto original (o do livro) começa assim: “Apesar de o início do ano civil ter sido transferido, já na Roma Antiga, para o dia 1º de janeiro…” Pois adivinhem vocês quando ocorreu esta transferência? Sim! Na reforma de Júlio César, exatamente onde estamos em nossa história sequencial…

O Ano da Confusão teve 445 dias, sabemos. Isso equivale a dizer que foi 80 dias mais longo do que um ano regular, de 365 dias. Mas depois de mais de 700 anos do calendário pompiliano, o erro era maior do que isso. (Façam as contas: se absolutamente nenhuma intercalação fosse feita em 700 anos, o calendário pompiliano estaria errado em 175 dias — um dia para cada quatro anos). O erro real estava em cerca de 150 dias… Ou cinco meses, aproximadamente.

O ano pompiliano estava cinco meses avançado em relação ao ano astronômico. (Avançado, pois era mais curto e, portanto, acabava mais rápido). O que Julio César fez foi atrasar o começo do novo ano, para colocá-lo de novo em sintonia com a Natureza. Para atrasar em cinco meses, ele poderia ter feito o óbvio, e criado cinco meses adicionais. Mas não foi isso o que ele fez.

Para jogar março do ano seguinte cinco meses para frente, ele criou três meses extras e deslocou dois meses já existente. Janeiro e fevereiro, que eram meses de final de ano, foram deslocado para o começo, ocorrendo antes de março. Assim o “empurrão” ficou do tamanho certo!

E não custa lembrar que fevereiro ocorria antes de janeiro, quando ambos estavam no final do ano. Mas como janeiro era uma homenagem ao deus Jano, fazia sentido mantê-lo na fronteira dos anos. Janeiro deixou de ser o último mês para ser o primeiro; fevereiro, que era o penúltimo, virou o segundo. E assim é desde então. ■

 

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